Um início de ano estranho

Olhando para as movimentações que aconteceram este ano, como o investimento dos OFFSET nos antigos Giants, 2021 tem tudo para ser um ano em grande para o CS:GO nacional. Mas nem tudo são boas notícias. Na realidade, o que despoletou esta crónica foi a saída de Francisco “emp” Vaz do universo competitivo, ele que foi um jogador que, no ano passado, mostrou como é possível levar uma equipa com poucos recursos até os lugares cimeiros do cenário.

Ao lado dos Baecon, emp e companhia calaram tudo e todos ao vencerem eXploit e Giants para levantarem a taça na grande final da 6ª temporada de MLP. Pouco tempo depois, no entanto, vimos o IGL a perder o fôlego. Citando-o, “ter 0% de recompensa foi a gota de água”.

No mesmo texto, Francisco Vaz revela que, depois dessa vitória, o roster esteve à procura de organização e que “uma das melhores propostas” foi “1000€ mensais para sete pessoas trabalharem a tempo inteiro, cerca de 142€ por pessoa”. O que retirar disto senão o facto de haver precariedade na profissionalização deste desporto em Portugal, especialmente quando temos perante nós o caso de uma equipa com um futuro promissor?

Podemos compreender a falta de organizações com dinheiro para investimentos sérios, mas histórias como esta pulverizam um sentimento que abala a cena, dando ideia de que trabalhar em prol desta é infrutífero – algo corroborado pelo antigo companheiro de equipa de emp, Rui “vts” Soares.

Ainda assim, não vos queremos deixar apenas com más notícias, até porque há esperança ao fundo do server, nomeadamente as movimentações que parecem indiciar uma possível progressão no nível dos jogadores nacionais.

A transferência de Bruno “shellzi” Teixeira para os OFFSET é uma ótima notícia, dado que significa uma nova oportunidade para o jogador português, assim como a de João “story” Vieira e Ricardo “JTR” Júnior, ex-Rhyno, para o projeto que inclui o antigo quarteto dos OFFSET. E a minha favorita: Francisco “kst” Fragoso integra agora os Velox, ao lado dos espanhóis EasTor e Enanoks e dos argentinos tutehen e tomi.

E, sim, escusamos de fazer prognósticos sobre 2021, ainda estamos no início. E no que toca à profissionalização dos esports em Portugal, desejo que estejamos também no início. Por isso, lanço o apelo: vamos acordar o quanto antes?

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