Sem fazer uma pesquisa e recorrendo apenas ao coração, diria que a última vez que uma equipa portuguesa nos encheu de tanto orgulho quanto os sAw foi há 10 anos. Por essa altura, nem os esports, nem tão pouco o CS, tinham a dimensão que têm hoje, mas havia já uma comunidade muito fiel e sempre disposta a apoiar nomes como fox, coachi ou k1ck nas competições internacionais. Agora, os sAw têm mostrado que não precisamos de viver de glórias do passado.

Foi um choque para muitos, senão para a maioridade dos fãs, quando chegou a notícia de que fox se iria afastar daqueles que são, a par do veterano, os melhores e mais experientes jogadores de CS em Portugal. rmn e mutt, eles que têm um passado bem sólido nesta modalidade, já jogaram sem Ricardo Pacheco, mas pairava no ar a sensação de que a luta pelos diferentes pódios europeus seria feita em conjunto. E por muito que custe a afirmar, esta parece ter sido uma aposta certeira.

O line-up atual dos sAw dispensa apresentações, especialmente no que diz respeito à armada portuguesa que o representa, nomeadamente JUST e stadodo ao lado dos já referidos rmn e mutt. Arki é o espanhol que completa a equipa, ele que recentemente foi protagonista de um momento caricato, pedindo calma aos seus companheiros, que estavam exaltados depois de uma situação 3v3 perdida. Deste lado, foi esse mesmo momento que comprovou como há ainda, certamente, muito espaço para progressão dentro dos sAw.

Mas nada disso nos impede de os referirmos como a melhor equipa portuguesa de sempre. Apesar de os últimos resultados serem online, não há como não compreender o trabalho excecional dos sAw: nos últimos tempos, venceram mapas e séries a equipas como Vitality, Heretics e Movistar Riders. Há momentos menos positivos, claro: na competição Nine to Five, vencemos apenas dois jogos num total de cinco, sendo que as derrotas foram contra equipas fora do top 30 da HLTV.

E o top 30, esse, deve ser, pelo menos a curto-prazo, o grande objetivo dos sAw. Ainda assim, todos os portugueses – da nova à velha escola – querem mais. Dos círculos mais íntimos aos comentários nas redes sociais, está tudo a pensar no mesmo: ver uma equipa portuguesa a debater-se nas melhores competições do circuito internacional.

Mais recentemente, os sAw encheram-nos de orgulho ao vencer os dinamarqueses Tricked na grande final da 34ª temporada da ESEA Advanced. Entrámos na série com uma desvantagem de 1-0 e acabámos a vencer por 3-1. Também por isso, afirmamos: com esforço e dedicação, podemos perfeitamente levar a bandeira nacional até um Major. E se dúvidas houver, talvez recordar o golo do Éder em 2016 acabe com essas.