Vivem-se tempos estranhos no panorama de CS:GO e, para já, deixamos de lado questões como o mui falado coach bug. Foquemo-nos na mais conhecida e aclamada equipa brasileira, os MIBR – ou será melhor dizer ex-MIBR? Para contextualizar os mais distraídos, resumir esta história atribulada é simples: tudo começa com a organização a remover fer, TACO e o Manager dead, passa por kNg a afirmar que não concorda com a decisão, e acaba com FalleN a sair do clube por vontade própria, rejeitando também a escolha dos seus patrões.

Para todos os efeitos, kNg e a mais recente contratação do clube, trk, permanecem no plantel. Depois de uma temporada no continente europeu, de onde participaram em competições como ESL One Cologne, ambos os jogadores retornaram ao Brasil para um período que será de reflexão. Mas independentemente do que estará para vir, é preciso olhar para esta aventura da equipa brasileira debaixo da tag MIBR como um fracasso.

Desde a heroica aventura dos KaBuM! até aos dois Majors conquistados em 2016, FalleN sempre habituou os fãs brasileiros e o público internacional a grandes glórias com as suas tropas. Os últimos tempos, no entanto, representaram o oposto. As expectativas que se criaram com o renascimento da marca MIBR foram grandes, mas desde cedo foram marcadas por tribulações, como é caso das ineficazes e infrutíferas alterações no roster. Mais preocupante ainda, nos últimos tempos vimos a equipa perder contra adversários fora do top 30 do ranking da HLTV, como é caso de Copenhagen Flames, Galaxy Racer ou PACT.

Como notou o jornalista brasileiro Roque Marques, numa peça para a Globo Esporte, os dedos não podem ser todos apontados em direção dos jogadores. Também o treinador dos Sharks, coachi, referiu que é importante que aconteça uma mudança de mentalidades com vista a que os CEOs das organizações não deixem a responsabilidade de novas contratações nas mãos dos jogadores. No entanto, tendo isto em conta e olhando para a reação dos jogadores após as mais recentes mudanças nos MIBR, parece claro que essa mutação ainda não é de tão fácil digestão quanto deveria ser.

É claro que falamos de fora, sem compreensão total do contexto que se vive dentro da organização MIBR. E até há poucos dias, do clube detido pela IGC houve apenas silêncio acerca do futuro – um silêncio ensurdecedor até. É por isso que a recente mensagem deixada pelo CEO Ari Segal deixou a desejar: apesar de afirmar que os MIBR pretendem remodelar o projeto, não tocou em questões como o futuro de jogadores como FalleN.

Já nas redes sociais, os fãs têm falado muito sobre uma eventual “last dance” dos brasileiros ao lado de coldzera e fnx, à imagem de Michael Jordan nos Chicago Bulls. Mas verdade seja dita: CS não é basquetebol e correr o risco de assinar um projeto cujos protagonistas têm dançado de forma descoordenada e desastrosa talvez não seja a melhor aposta para uma organização de esports.